Resistência ao fogo

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Especialista comenta quais são as principais pesquisas em andamento na área de engenharia de estruturas em situação de incêndiopor Ana Claudia Machado

 

A cidade de São Leopoldo (RS) sediou, no final de junho, o 1° Workshop em Segurança Contra Incêndios no Desempenho das Edificações, composto por palestras e cursos de extensão realizados na Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos). Na ocasião, um grande especialista na área de estruturas de aço em situação de incêndio foi convidado para ministrar a aula magna. Trata-se do Profº Dr. Paulo Vila Real, vice-reitor da Universidade de Aveiro, de Portugal. Villa Real veio ao Brasil compartilhar sua experiência como coordenador científico do LERF (Laboratório de Estruturas e Resistência ao Fogo), do Departamento de Engenharia Civil da universidade portuguesa, onde tem realizado vários estudos e pareceres relacionados à segurança contra incêndios em edifícios.

Durante a aula, os participantes tiveram a chance de conhecer noções básicas de cálculo estrutural ao fogo, incluindo o conceito de temperatura crítica, tão utilizado quando se trata de dimensionar a espessura dos materiais de proteção passiva. Além disso, Villa Real fez referência aos vários materiais de proteção térmica mais utilizados, abordou as várias metodologias de cálculo e mostrou alguns estudos elaborados no LERF. A revista Incêndio entrevistou o professor Villa Real, que é também presidente da Comissão Técnica nº 3, que trata da Segurança ao Fogo de Estruturas Metálicas, da ECCS (European Convention for Constructional Steelwork) e traz a seguir o conteúdo desta conversa. Confira:

Por que é importante considerar o incêndio desde o projeto estrutural?
Do ponto de vista da verificação da resistência estrutural ao fogo existem duas abordagens possíveis, uma de natureza prescritiva e outra baseada no desempenho. Quando se adota a primeira, não há necessidade de acompanhar o projeto estrutural, tendo em vista as reais condições de ocorrência de um incêndio, pois quaisquer que sejam, os elementos estruturais devem possuir capacidade de suporte de cargas durante o tempo de resistência ao fogo regulamentar quando sujeitos a uma curva de aquecimento padrão. Por outro lado, quando se adota uma abordagem baseada no desempenho, as condições reais de ocorrência de incêndio, bem como todos os aspectos que os possam influenciar, são considerados porque esses aspectos em fase de projeto resultará naturalmente em estruturas mais seguras e econômicas.

Como é esse processo em Portugal?
Em Portugal o Regulamento Técnico de Segurança contra Incêndio em Edifícios estipula que “consoante o seu tipo, os elementos estruturais de edifícios devem possuir uma resistência ao fogo que garanta as suas funções de suporte de cargas, de isolamento térmico e de estanquidade durante todas as fases de combate ao incêndio, incluindo o rescaldo, ou, em alternativa, devem possuir a resistência ao fogo padrão mínima de acordo com a sua utilização, tipo de edifício, e a sua categoria de risco”. Embora não o refira explicitamente, este texto abre a porta à utilização de metodologias de cálculo baseadas no desempenho. Na realidade, quando refere que em “alternativa” às classes de resistência ao fogo padrão, os elementos estruturais devem possuir uma resistência ao fogo que garanta as funções para as quais foram projetados (suporte de cargas, isolamento térmico e/ou estanquidade) durante todas as fases de combate ao incêndio, incluindo o rescaldo, isto significa implicitamente a possibilidade de se usar cenários de incêndio baseados no incêndio natural, ou seja, a possibilidade de utilizar uma abordagem voltada ao desempenho em alternativa à abordagem prescritiva. A regulamentação de segurança contra incêndio em edifícios tem evoluído no sentido de se libertar progressivamente das exigências de carácter prescritivo, passando a basear-se preferencialmente no desempenho dos elementos de construção, deixando ao projetista a liberdade de escolha das soluções mais adequadas a cada caso. Esta é a via que permitirá simultaneamente tornar a segurança contra incêndio mais racional, mais eficaz e mais econômica. Os Eurocódigos Estruturais (normas europeias de verificação da segurança estrutural) seguiram claramente esta tendência, permitindo a utilização, na verificação da resistência ao fogo das estruturas ou elementos estruturais, de procedimentos prescritivos ou, em alternativa, de procedimentos baseados no desempenho.

 

Leia a entrevista na íntegra em Incêndio – edição 132

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