Governo de Minas vai alugar aeronaves para combater incêndios

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Agosto ainda está no início, mas o mês que abre a temporada de incêndios em Minas já dá mostras do trabalho intenso que o Corpo de Bombeiros tem pela frente. O número de 2.226 focos de calor registrados no estado de janeiro até a semana passada já era 6,9% maior que a soma dos oito primeiros meses do ano passado, quando 2.081 pontos foram computados. O aumento expressivo das chamas – elevação que teve início há cerca de uma semana e que atualmente ameaça pelo menos quatro áreas verdes em Minas – também se reflete nas reservas ambientais. Até o domingo, a quantidade de unidades de conservação atingidas pelas chamas no estado (196) era praticamente a mesma de todo o período de janeiro a agosto do ano passado, quando 198 áreas do tipo se incendiaram. Diante do quadro, o governo do estado reconsiderou a falta de recursos para aluguel de aeronaves, contrato que não tinha previsão de verba há cerca de duas semanas. Mas, mesmo assim, com apenas dois helicópteros para ajudar, o Corpo de Bombeiros, que ontem apagava um incêndio na Serra do Curral, precisou do apoio de uma aeronave da Polícia Militar para controlar o fogo no local.

O incêndio na Serra do Curral ocorreu em pelo menos dois grandes focos e envolveu cerca de 30 militares no combate. As causas ainda são investigadas pelos militares, mas os ventos fortes e a falta de chuva na capital mineira – a última foi registrada há dois meses – ajudaram na proliferação dos focos. O fogo começou na manhã de ontem, próximo ao Bairro Mangabeiras, na Região Centro-Sul de BH. Segundo o Corpo de Bombeiros, as chamas se espalharam por outros pontos da serra. Duas viaturas foram enviadas para combater os focos no Bairro Belvedere, próximo à Rua Professor Cristóvão dos Santos, e outras três foram direcionadas para o outro lado da serra, na Rua Ministro Vilas Boas, no Bairro Mangabeiras. As chamas foram debeladas no fim do dia, com trabalho em terra e água jogada pela aeronave da PM.

De acordo com dados da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, pelo menos quatro unidades de conservação estavam sendo atingidas pelas chamas ontem. Uma das situações mais críticas era no Parque Nacional da Serra da Canastra, entre São Roque de Minas e Sacramento. Aeronaves e brigadistas tentavam apagar as labaredas que consumiam a vegetação local desde a última sexta-feira. A situação se agrava por causa dos ventos fortes e do tempo seco. A suspeita é de que o fogo seja criminoso.

A situação também era crítica em outros pontos do estado, como no Monumento Natural de Itatiaia, entre Ouro Preto e Ouro Branco, onde uma aeronave da FTP (Força-Tarefa Previncêndio) atuava ontem. Os brigadistas são levados para locais próximos em caminhonetes. Mas, como as chamas estão concentradas em áreas de difícil acesso, tinham de ser levados de helicóptero até os pontos de combate. Aproximadamente 34 agentes estão em ação na área de preservação. Brigadistas também combatiam ontem pontos de incêndio no Parque Estadual Serra do Cabral, em Buenópolis, na Região Central de Minas, onde as chamas começaram no domingo. Outro ponto foi o Parque Estadual Serra de Ouro Branco, onde as chamas se espalharam na noite de domingo e formaram diversas linhas de fogo, que foram debeladas ontem de manhã. A área queimada e as causas do incêndio não foram esclarecidas pelo IEF (Instituto Estadual de Florestas).

Apesar de o fogo já atingir reservas ambientais do estado, o uso de aviões para controlar chamas ainda não vem ocorrendo. Isso porque, de acordo com o diretor de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais da Semad, Rodrigo Belo, mesmo com contrato válido até 27 de agosto para aluguel de 10 aeronaves – já renovado para mais um ano – as demandas ainda podem ser controladas com o uso de helicópteros. “Até duas semanas atrás não tínhamos o recurso para empenhar, mas agora já há verba disponível. O contrato atual é de R$ 12 milhões e assim que terminar, o outro, de R$ 15 milhões, passa a valer para aluguel de aviões e caminhões-pipa”, afirma o diretor. Ele explicou, no entanto, que a mobilização das aeronaves precisa atender a uma distância mínima das pistas de pouso para abastecimento com água. “Se o intervalo entre um avião e outro for superior a 20 minutos, o combate com esse recurso passa a ficar ineficiente”, disse.

Os 10 aviões são modelos Air Tractor – três com capacidade para 1,5 mil litros, cinco para 2,2 mil litros e duas aeronaves para 3 mil litros. Além da distância de pistas de pouso, também são levadas em consideração disponibilidade e eficiência dos aviões em cada tipo e local do incêndio.

Focos de calor *
Em Minas, de janeiro a agosto de 2012 a 2016
2012   2.463
2013   2.056
2014   3.639
2015   2.081
2016   2.226 (até 7/8)

Aumento de 6,9% em relação ao período de janeiro a agosto de 2015
* Focos de calor são áreas de elevação de temperatura detectadas via satélite, mas não são necessariamente incêndios

Incêndios em unidades de conservação
2015: 198 (janeiro a agosto)
2016: 196 (até 7/8)

Tempo seco
Um dos motivos para o aumento de ocorrências de incêndio em Minas é a baixa umidade relativa do ar. E, se depender das condições climáticas, a situação ainda vai se manter crítica. Não há previsão de chuva para Belo Horizonte nos próximos dias. De acordo com o Instituto PUC Minas TempoClima, as temperaturas devem se manter elevadas até, ao menos, quarta-feira. Ontem, a máxima em BH foi de 30,9 graus. Massa de ar seco que atua sobre Minas Gerais dificulta a formação de nuvens, afastando a possibilidade de chuva e elevando os termômetros. A Comdec (Coordenadoria Municipal de Defesa Civil) emitiu alerta de baixa umidade relativa do ar até o fim da tarde de amanhã. O índice ficou em 25%, o que é considerado estado de alerta pela OMS (Organização Mundial de Saúde).

Fonte: Em.com.br

 

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