Fogo em pauta

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Entrevista com Alexandre Itiu Seito – por Débora Luz

 

2015.08.04 - Alexandre Itiu SeitoA SCI (Segurança Contra Incêndio) deve ser promovida em todas as áreas da atividade humana, habitação, local de trabalho e lazer, transporte (rodoviário, ferroviário, marítimo e metroviário), produção de energia, bem como a área rural. Para se obter um grau razoável de SCI é fundamental o conhecimento que é obtido nos bancos escolares que tem um método de ensino para melhor aproveitamento dos alunos.

No Brasil não há a disciplina de SCI nas faculdades e observamos uma baixa dos nossos representantes no governo quanto ao assunto, sendo que os profissionais brasileiros que projetam e constroem as cidades só tem a preocupação de atender o regulamento do órgão oficial.

Por outro lado, para Alexandre Itiu Seito, engenheiro químico pós-graduado em nível de doutorado pela USP (Universidade de São Paulo), nosso entrevistado da edição 119, as entidades públicas aceitam os projetos contanto que atendam o regulamento sem se preocupar se os projetistas têm conhecimento, os sistemas instalados têm qualidade, a mão de obra de instalação é qualificada e se é feita a manutenção dos sistemas instalados de acordo com a norma técnica.

Alexandre implantou o Laboratório de Ensaios de Fogo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo com os ensaios de reação ao fogo e de resistência ao fogo, após o estágio nos Estados Unidos da América em 1976. Chefiou o Agrupamento de Segurança ao Fogo do IPT até 1991 como pesquisador sênior. Foi presidente da Comissão Brasileira de Proteção contra Incêndio da ABNT e iniciou o processo da criação do CB-24 Comitê Brasileiro de Segurança contra Incêndio, em 1987. Participa da normalização brasileira desde 1984.

Atualmente é membro da Comissão de Estudo de Detecção e Alarme de Incêndio do CB-24 e da Comissão de Estudo do Líquido Gerador de Espuma para Combate a Incêndio. Atualmente é professor dos cursos da Ycon Formação Continuada, de São Paulo e da empresa FireK, de Vitória (ES). Coordenou a edição do livro “Segurança contra Incêndio no Brasil” pelo GSI – Grupo de Pesquisas em Segurança contra Incêndio da USP (Universidade de São Paulo).

Qual o panorama atual do parque laboratorial de ensaios de sistemas de segurança contra incêndio?
Deixei o Laboratório de Ensaios de Fogo do IPT há 23 anos e não tenho acompanhado a evolução do mesmo. Porém, na Revista Incêndio, edição de n0 118, traz uma entrevista com o responsável pelo laboratório de ensaios de fogo do IPT (LSFEx) e nela podemos ver o quanto falta de capacitação laboratorial para atender as exigências dos regulamentos dos corpos de bombeiros, cito, por exemplo a falta dos ensaios de resistência ao fogo para sistemas construtivos horizontais (lajes, vigas etc) e de pilares. Além dos ensaios rotineiros baseados em normas da ABNT, os laboratórios devem ter dentro de seus objetivos a de apoiarem às indústrias para o desenvolvimento de novos produtos e sistemas construtivos. No Rio Grande do Sul, a Unisinos, com atuação na área da educação está executando ensaios de reação e resistência ao fogo. Em São Paulo temos, ainda, a Firemetria com sede na cidade de Valinhos, que realiza ensaios de fogo para certificação de LGE – Líquido Gerador de Espuma e avaliação da capacidade extintora dos extintores de combate a incêndio. Executa, também, o ensaio de avaliação de sistema construtivo para a segurança contra incêndio. Ainda em São Paulo temos o Laboratório Falcão Bauer que faz alguns ensaios de fogo. Para o Brasil esta capacidade laboratorial é insuficiente, quer sob o aspecto da falta de ensaios quer para atender a demanda.

Existe uma deficiência no ensino superior de disciplinas de prevenção e combate a incêndios?
A educação em segurança contra incêndio não deve se limitar ao ensino superior, os países que se preocupam com esta questão têm ensinado e orientado os alunos desde o nível fundamental. Os nossos engenheiros e arquitetos praticamente não recebem aulas sobre a segurança contra incêndio, tenho conhecimento que a USP por meio de dois docentes, uma professora da FAU e um professor da Escola Politécnica, têm ensinado a segurança contra incêndio em suas disciplinas.

Leia a entrevista na íntegra em Incêndio – edição 119

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