ONG portuguesa lista medidas para evitar erosão e poluição da água após incêndios florestais

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02 ABRIL 2015 - VILA NOVA FUGOS INCENDIO

A perda de vegetação decorrente de incêndios florestais tem como uma das principais consequências a redução de capacidade de infiltração da água no solo, levando a fenômenos de forte erosão hídrica já nas primeiras chuvas, que arrastam enormes quantidades de sedimentos para as linhas de água. Atenta a esse cenário, a Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável, ONG portuguesa de cunho ambiental, lançou nesta terça-feira (13) um parecer com medidas que podem ajudar o país europeu a se planejar para reparar os danos causados pelos graves incêndios florestais que Portugal tem enfrentado nas últimas semanas.

Conforme a entidade, as autoridades precisam estar atentas às seguintes ações nos municípios afetados:

* Um diagnóstico da situação no terreno para avaliação preliminar dos impactes e identificar as zonas mais vulneráveis, com especial incidência nas áreas classificadas;
* Uma avaliação da necessidade de prescrição de atuações de emergência para as áreas de risco, nas quais poderão ser utilizadas técnicas de engenharia natural, como a instalação de barreiras contra a erosão utilizando a madeira queimada, a utilização de restos de madeira para cobrir o solo ou como sementeiras de plantas herbáceas autóctones de rápido crescimento. Estas atuações, que podem e devem também prevenir derrocadas e deslizamentos de terras causadoras de danos em pessoas e bens, podem e devem contar com a participação das equipas de bombeiros florestais e a colaboração de técnicos especializados em engenharia natural;
* No médio prazo, em algumas circunstâncias será necessário apoiar a regeneração da vegetação, através da plantação de árvores e arbustos autóctones, ou vir a reduzir a carga de combustível em alguns locais, com vista a restaurar a cobertura vegetal, prevenir a ocorrência de novos incêndios e antecipar os efeitos das alterações climáticas.

Ainda conforme a nota divulgada pela ONG, o assunto merece destaque porque Portugal é um dos países da Europa com maior risco de desertificação. “Constituindo os incêndios um mecanismo de desertificação ecológica e socialmente traumático, as respostas pós-incêndio, como as que citamos, poderão ser muito importantes, uma situação que nem sempre tem tido a atenção necessária por parte das autoridades públicas nos últimos anos”, ressalta o texto divulgado pela entidade.

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