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A importância da Proteção Passiva em situações de incêndio

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Por Giovanna Marquioreto*

O fogo é considerado uma das maiores conquistas do ser humano na pré-história. Cientistas explicam que sua descoberta na Terra data de milhões de anos atrás, e sua utilização em situações cotidianas é algo que nos acompanha desde então. O que não sabíamos, na época de sua descoberta, é o quanto o fogo e seu alastramento poderiam ser prejudiciais em determinadas situações.

Infelizmente foram necessárias incontáveis tragédias, e em âmbito nacional podemos citar alguns exemplos que resultaram em perdas expressivas como o Edifício Andraus (1972), o Edifício Joelma (1974), bem como os mais recentes, a Boate Kiss (2013), o Museu Nacional do Rio de Janeiro (2018), o Ed. Wilton Paes de Almeida (2018), o Centro de Treinamento do Flamengo (2019), entre tantos outros, para alcançarmos o endurecimento de leis e criação de decretos que passaram a reger este campo com maior rigorosidade e critério.

Dentre estes critérios alcançamos como medida básica de segurança contra incêndio, estabelecida por decretos estaduais, como o de São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, a compartimentação horizontal e vertical de ambientes e pavimentos, afim de diminuir os impactos causados pelo alastramento de fogo e principalmente de fumaça, pois estudos relatam que a grande maioria das vítimas em situações de incêndio chegam a óbito devido à inalação de gases tóxicos. Além do poder de fiscalização muito mais efetiva por parte do Corpo de Bombeiros, que passa a ter, após a renovação destes decretos, autonomia para interditar e multar os responsáveis em áreas de riscos.

Partindo desta ideia, a proteção passiva representa uma gama de opções que podem ser utilizadas para a minimização de consequências graves. O que deve ser trabalhado juntamente com essas opções é o mindset de fornecedores, projetistas, construtores e também usuários, afinal cada partícipe carrega sua parcela de responsabilidade no que tange a construção e utilização das edificações, e isto fica claramente estabelecido em Instruções e Normas Técnicas, e na ABNT NBR 15.575 – Norma de Desempenho. Devemos buscar, portanto a conscientização de todos para atingirmos essa unificação.

Tendo os dados apresentados em vista, apesar de estarmos alcançando vagarosamente este panorama de conscientização, concluímos que ainda há muito trabalho a se fazer. Infelizmente presenciamos mais um incêndio de alto impacto, na Catedral de Notre-Dame em Paris – França, que poderia ter sido minimizado. Vimos mais uma vez que a proteção ativa, ainda que seja efetiva, não é suficiente em situações como essa. Nosso intuito é enfatizar a importância da proteção passiva como modo de prevenção e tê-la como nossa principal aliada no que tange a minimização de impactos e perdas, tanto de vidas como de bens.

*Tecnóloga em Construção Civil formada pela FATEC-SP. Atua no seguimento de Firestop na Hilti do Brasil.

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