Tecidos inerentes apresentam maior durabilidade e eficiência no combate às chamas

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Qual é a melhor opção em tecido antichamas? O inerente ou o tratado? Essas duas tecnologias já são conhecidas há algum tempo mas ainda geram dúvidas. Para Eduardo Moreira, responsável técnico da DuPont™ Nomex® na América Latina a resposta está na aplicação que será dada ao produto e a durabilidade que se deseja.

Moreira explica que tecidos inerentes geralmente são compostos por aramidas cuja propriedade antichama é atribuída às fibras antes do processo de tecelagem. “Os materiais inerentes nunca perdem suas propriedades de resistência às chamas, ou seja, não pegam fogo”. Já os tecidos tratados são de algodão, ou mesclas com algodão, e a propriedade antichama é atribuída após a confecção do tecido. “Inicialmente eles pegam fogo, mas depois de receberem um tratamento químico ficam resistentes às chamas, mas podem perder essa propriedade durante a lavagem, o que não acontece com os inerentes”.

Segundo o técnico, a lavagem não tem o poder de modificar a estrutura química da molécula da aramida de uma vestimenta confeccionada em Nomex®, pois a inerência é uma característica molecular. “Por isso, a lavagem não afeta a proteção do tecido inerente”. Mas isso não significa que o tecido inerente não possa entrar em combustão. “Dois fatores contribuem para que uma vestimenta com aramida pegue fogo. Um é o nível de oxigênio no ambiente. A aramida precisa de 29% a 30% de oxigênio. Considerando que em nossa atmosfera existem 20,9% do gás, podemos dizer que não existem condições reais para isso. Outro fator é a temperatura que precisaria ser extremamente elevada. Mesmo assim, o tecido manteria as chamas por poucos segundos”, garante. “Isso acontece porque a aramina libera pouca quantidade de gás inflamável, ou seja, ao entrar em contato com o oxigênio do ar, libera pouca energia, resultando em pouca chama”.

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Uso pelo Corpo de Bombeiros

Pelas suas características, os tecidos inerentes atualmente estão nas vestimentas de combate ao fogo usadas pelos Corpos de Bombeiros Militares em todo o país. “A atividade das corporações é crítica, pois atuam quando já há um incêndio em andamento e geralmente precisam entrar em locais em chamas tanto para contê-las como para socorrer possíveis vítimas”.

Essas vestimentas dos bombeiros, segundo Moreira, seguem  normas rígidas, tendo uma primeira camada de tecido antichamas e de proteção térmica, à base de aramida, seguida de uma camada acolchoada, e que também garantem a mobilidade. “Não se pode deixar de lado o conforto do combatente, mas são roupas pesadas, tanto que a orientação é que sejam usadas por 30, no máximo 40 minutos”, afirma.

Já nas brigadas de incêndios em indústrias as exigências são menores, pois atuam apenas no início do fogo e trabalham na evacuação do local. “Nesses casos, os equipamentos são mais leves, mas também têm uma primeira camada semelhante à dos bombeiros”.

Embora não saiba precisar os valores, Moreira afirma que vestimentas com aramida usadas por brigadistas ficam entre 10% e 20% do valor das usadas pelos bombeiros. De qualquer forma, lembra que a relação de valor é relativa quando se trata de materiais inerentes, pois há uma questão da durabilidade do material. “Já na comparação dos produtos feitos de aramidas, como DuPont™ Nomex®, que é um material inerente, o custo fica acima das vestimentas de algodão com tratamento químico. Mas os materiais inerentes têm mais durabilidade e são mais resistentes à lavagem e às chamas, garantindo mais sobrevida no médio e longo prazo”.

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