Retardante de chamas oferece tempo precioso para salvar vidas em incêndios

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Profissionais da área de SST e bombeiros sabem o quanto alguns segundos podem ser preciosos para salvar vidas no caso de incêndios. Quando há madeira na construção, esse tempo pode ser estendido para dezenas de minutos graças a uma importante medida de prevenção: a utilização de retardantes de chamas.

Retardantes de chamas são agentes químicos capazes de aumentar a resistência da madeira à combustão, de diminuir a propagação do fogo, de reduzir a emissão de gases que retroalimentam as chamas e de inibir as emissões de fumaça em situações de incêndio.

“Um produto como esse pode retardar o tempo de avanço do fogo em até 20 vezes, segundo estudos em segurança contra incêndios”, afirma Jackson Vidal, químico especialista da Montana Química, multinacional brasileira que oferece produtos de proteção de madeira tanto na área industrial quanto no varejo. “São minutos preciosos, que podem significar a vida das pessoas em um incêndio.”

Vidal alerta que os retardantes de chama não impedem a madeira de pegar fogo. “Mas vão proporcionar um maior tempo para as pessoas evacuarem seguramente as áreas e para que os bombeiros combatam o incêndio antes do colapso total da estrutura”, afirma o especialista.

Ação e aplicação

Geralmente, os retardantes são compostos químicos que favorecem a carbonização da superfície da madeira – quando isso ocorre, o fogo se propaga com menos rapidez e há o retardamento do flashover (desenvolvimento acelerado e repentino do fogo).

A carbonização atua também como uma espécie de selagem, evitando que a madeira libere gases combustíveis para a alimentação do fogo. Com isso, há redução da fumaça do incêndio.

O especialista químico explica que, idealmente, o produto pode ser aplicado ainda na indústria, com a selagem completa da estrutura de madeira, porém, é usualmente aplicado durante a construção das estruturas nas obras. De qualquer forma, a aplicação deve ser feita por um profissional especializado.

“Para que tenha efetividade, o retardante de chamas precisa estar no substrato dentro de uma concentração ideal e ensaiado de acordo com normas técnicas, que levam em conta os requisitos necessários e estabelecem classes aos materiais quanto à exposição ao fogo”, afirma o especialista. A dica é seguir a recomendação do fabricante, não se esquecendo da manutenção temporal.

Vidal explica, por exemplo, que a Montana Química não comercializa este produto em específico diretamente ao consumidor nas gôndolas das lojas de material de construção, mas sim mediante requisição dos profissionais, vinculando-o a um ART (Atestado de Responsabilidade Técnica). Há, também, o cuidado de emissão de laudo de acordo com a metragem da construção, o que determinará a quantidade ideal do produto conforme a concentração recomendada.

Normas

A Instrução Técnica 10 – CMAR (Controle de Materiais de Acabamento e Revestimento) destina-se ao estabelecimento de padrões para o não surgimento de condições propícias do crescimento e da propagação de incêndios, bem como da geração de fumaça.

De acordo com Vidal, a norma estabelece classes de proteção considerando o grupo ou divisão da ocupação em função da finalidade do material: piso, parede, teto, fachada-cobertura e outras finalidades de difícil caracterização (materiais especiais).

“Importante lembrar que os retardantes são exigidos em construções que requerem o AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros), ou seja, em áreas de maiores dimensões, circulação e permanência de pessoas, e apresentam validade variável dependendo do estado brasileiro e do tipo de edifício em questão”, conclui o especialista.

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