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Incêndios: destruição de vidas e patrimônio. Até quando?

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Por Felipe Melo

Vivenciamos um momento conturbado na sociedade, onde valores são reconhecidos somente após terem sido perdidos. É o caso do incêndio que atingiu o galpão das Casas André Luiz, no dia 18 de junho desse ano, na região da zona leste em São Paulo, onde foram perdidos diversos móveis, itens e objetos doados para gerar renda à instituição de caráter filantrópico que, desde 1949, atende gratuitamente deficientes intelectuais e pessoas que sofreram danos irrecuperáveis.

As perdas causadas pelo incêndio aniquilam a esperança e todo o possível capital que seria destinado à Unidade de Longa Permanência (U.L.P.), ou seja, o espaço principal que atende cerca de dois mil pacientes, sendo 600 deles residentes que necessitam e muito do trabalho da entidade para terem um mínimo de qualidade de vida. Este fato ocorrido é uma amostra do ciclo de danos e nos dá a dimensão exata da destruição que um incêndio pode causar, pois extingue a esperança, a renda, o patrimônio de pessoas e familiares e quando muito pior, a própria vida.

O que chamo a atenção, aqui nesta leitura, é para a reflexão de que, mesmo depois das recentes melhorias tecnológicas e evolução nas exigências para solicitação de um Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), ainda assim, por falta de fiscalização, acompanhamento técnico, elaboração de projetos e conscientização não investimos verdadeiramente na precaução e sistema inteligente de prevenção e combate a possíveis incêndios. É de senso comum que a precaução e prevenção torna-se mais econômica do que a reconstrução do que foi perdido, pois vidas e histórias não podem ser substituídas.

O Corpo de Bombeiros que trabalha provendo proteção e resposta imediata a emergências de incêndio, salvamento e resgate é um exemplo de que, felizmente, existem muitos profissionais comprometidos trabalhando para mudar essa realidade em nosso país. Mas, ao invés de ter esse trabalho árduo com o fogo e fumaça tóxica já em situação crítica, quais as medidas precisamos adotar para que não ocorra acidentes que provoquem tantos danos?

Nos projetos elaborados é possível estabelecer sistemas eficazes de prevenção e combate a incêndios, como o uso chuveiros automáticos, popularmente conhecidos como sprinklers, saídas de emergências devidamente sinalizadas, extintores portáteis e hidrantes bem dimensionados, sistema de Porta Corta Fogo (PCF), isolantes térmicos e materiais que não propagam chamas. Todos, em conjunto, têm o intuito de reduzir prejuízos ao patrimônio, preservar vidas e reduzir as chamadas de emergência do Corpo de Bombeiros.

Precisamos falar mais sobre prevenção de incêndio como um aliado nas construções. Afinal, a instalação desses sistemas apresenta um investimento, cujo valor é baixo se comparado com a proteção eficaz que oferece. Porém antes de tudo isso, é preciso parar a discussão sobre o que é mais importante preservar, se a vida ou patrimônio? Porque, obviamente, preservar a vida é fundamental, porém, na medida em que preservamos o patrimônio com sistemas eficazes como o uso de sprinklers, por exemplo, vamos diminuir a geração da fumaça tóxica que, de forma geral, é responsável por causar a morte das pessoas. Então, a conclusão é que se preservarmos o patrimônio, estaremos sim salvando vidas. E fim de discussão.

Felipe Melo – presidente da Associação Brasileira de Sprinklers (ABSpk). Engenheiro Eletricista formado pela FEI. Atua há mais de 10 anos em empresas dedicadas a sistemas de proteção contra incêndio.

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