Revestimentos resistentes ao fogo são determinantes para construções mais seguras

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Além de proteger a alvenaria, abafar o som para determinados espaços em condições acústicas diversas, bem como decorar e facilitar a limpeza de ambientes, ao adquirir pisos e revestimentos também é preciso levar em conta se são resistentes a chamas, ponto determinante para evitar ocorrências mais severas, como a da Boate Kiss, que dentre os inúmeros problemas causadores da tragédia, também destaca-se os materiais inflamáveis presentes nos revestimentos.

Mais recentemente, em fevereiro, na cidade de Valência, Espanha, um incêndio atingiu dois prédios de um conjunto de apartamentos e vitimou 10 pessoas, sendo uma das hipóteses a combinação de ventos fortes, coberturas de lona nas varandas e materiais de revestimento da fachada que provavelmente ajudaram a espalhar o fogo.

“O fogo é um perigo para todos os edifícios e canteiros de obras, independentemente do material de construção e os incêndios começam nos objetos e mobiliário. Ocorrem em edifícios de concreto, aço, alvenaria e madeira, sofrendo impactos negativos da exposição prolongada. Enquanto o aço se curva, o concreto lasca, a madeira queima. O mais importante é construir respeitando as normativas vigentes para garantir que a edificação seja segura aos ocupantes e mesmo aos socorristas, no caso de um incidente”, explica Eduardo Souza, arquiteto e editor do site ArchDaily.

A madeira engenheirada, Souza argumenta, é uma das inovações no quesito, incluindo a Madeira Laminada Cruzada (CLT), a Madeira Laminada Pregada (NLT), a Dowel Laminated Timber (DLT) e painéis de madeira laminada colada (glulam) para piso e paredes. “A madeira engenheirada permite resistência inerente ao fogo por meio do isolamento das camadas internas. Quando a superfície exposta queima, cria-se uma camada carbonizada de proteção natural. Esse carvão atua como um isolamento, atrasando o início do aquecimento do núcleo da madeira, protegendo a estrutura”, arremata.

 

Normativas para revestimentos

 

Como dito, é preciso seguir as normas presentes para a construção, fabricação, uso e aplicação de materiais e revestimentos que diminuam a propagação de chamas.

Em relação ao Corpo de Bombeiros, a Instrução Técnica 08, em São Paulo, estabelece as condições a serem atendidas pelos “elementos estruturais e de compartimentação que integram as edificações, quanto aos Tempos Requeridos de Resistência ao Fogo (TRRF)”, para que, em caso de incêndio, seja evitado o colapso estrutural e proporcione tempo suficiente para saída segura das pessoas e o acesso aos bombeiros. Já a IT 10/2011, trata do controle de materiais de acabamento e de revestimento para restringir a propagação de fogo e fumaça.

Já a Norma Técnica 21/2022, do Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo, determina o Controle de Materiais de Acabamento e Revestimento (CMAR), aos materiais, inclusive acústicos, aplicados nos elementos construtivos das edificações.

 Outro ponto a ser lembrado é a chamada carga de incêndio, presente na norma ABNT NBR 14432:2001. Trata-se “da soma de potenciais energéticos liberados na combustão completa de todos os materiais inflamáveis em um determinado espaço, abrangendo, inclusive, os revestimentos que vestem paredes, divisórias, pisos e tetos”.

Segundo informações do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará (CBMCE), a quantidade de calor gerada pela carga de incêndio influencia diretamente na capacidade dos sistemas de combate a incêndios, como sprinklers, sistemas de supressão por agentes químicos e de combate a incêndios por água.

“Conhecer a carga de incêndio permite a formulação de estratégias específicas de combate a incêndios, influenciando no design de rotas de evacuação, sendo possível ainda desenvolver programas de treinamento às brigadas e a avaliação de riscos. Isso auxilia na determinação de medidas de prevenção de incêndios e na elaboração de planos de contingência para minimizar danos e perigos potenciais”, frisa nota.

 

Inovação e pesquisa

 

Por meio de estudos, planejamento e investimento em inovação, a busca por soluções em revestimentos resistentes aos incêndios é fomentada no meio acadêmico. A Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), por meio da startup B-612 Soluções Sustentáveis, desenvolveu um retardante de chamas biodegradável e renovável, composto por 90% de celulose e óxido de grafeno. Caso venha a queimar, a emissão gasosa não será tão tóxica quanto as convencionais.

“Podemos adicioná-lo na base de uma tinta epóxi, usada como revestimento em diversas superfícies, como madeira, aço e cerâmica. Se esses materiais forem expostos ao fogo, não serão responsáveis por alimentar incêndio devido ao uso do nosso retardante”, conta a pesquisadora Heliane Amaral, que juntamente com Tainara Guerra, ambas doutoras em Química pela Ufes, sob supervisão do professor do Departamento de Física Jair Freitas, criaram o produto.

Já quando a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) conta com itt Performance, o único laboratório presente no país que realiza ensaios para avaliar a propagação de fogo em fachadas. São utilizados dois critérios de avaliação: a propagação de chamas pela face exterior e a propagação pela face interior.

Roberto Christ, coordenador do laboratório, acrescenta que há demais normas desse assunto, como a ABNT NBR 16951:2021, sobre a Reação ao fogo de sistemas e revestimentos externos de fachadas – Método de ensaio, classificação e aplicação dos resultados de propagação do fogo nas superfícies das fachadas, baseada na Norma estrangeira BS 8414 Fire performance of external cladding systems. “Elas visam estabelecer o procedimento de avaliação de fachadas, em escala real, no laboratório. A amostra deve ser representativa do uso final do sistema, considerando materiais empregados, dimensões, selagens e fixações”, finaliza.

 

Foto: reprodução

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