Organizações de brigadistas de combate a incêndios  florestais ainda sofrem perseguições

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Brigadistas Voluntários de Combate a Incêndios Florestais ainda sofrem perseguições  em algumas regiões do Brasil por organizações públicas. O alerta foi feito pelo presidente da Rede Nacional de Brigadistas Voluntários (RNBV), Rafael Gavas. Durante um balanço do período crítico anual de queimadas em áreas de preservação no país, que vai de maio a final de outubro, ele destacou as dificuldades enfrentadas por essas instituições.

A exemplo do que aconteceu com os brigadistas de Alter do Chão, no Pará, em 2019, quando foram presos acusados de colocarem fogo na floresta, Gavas afirma que muitas vezes esses voluntários entram em choque com interesses de pessoas influentes. “Existem sim algumas situações em que há uma clara perseguição contra essas organizações voluntárias até porque, muitas vezes, ao fazerem um combate a incêndio, elas acabam denunciando o que está ocorrendo naquele local e pessoas com algum poder tentam impedir o trabalho”.

O presidente da RNBV afirmou que este ano as ocorrências também foram muito superiores à média de outros anos, a exemplo do que aconteceu em 2020. “Mas, devido às dificuldades do ano passado, o pessoal estava mais preparado agora e não tivemos perdas de brigadistas como ocorreu em setembro do ano passado”. Gavas se refere ao  brigadista Welington Fernando Peres Silva, de 41 anos, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que não resistiu aos ferimentos sofridos quando combatia um incêndio no Parque Nacional das Emas.

Mesmo assim, Gavas entende que ainda há muito que fazer. “Temos deficiências com capacitação, formalização e gestão das brigadas, falta de equipamentos, conhecimento da utilização desses equipamentos. Tem ainda a dificuldade de mobilidade, falta de equipamentos para comunicação. TAmbém é preciso que as brigadas tenham recursos próprios, pois se não tiverem dinheiro para gasolina, alimentação, não funciona.”.

Cada vez mais focos

Para o dirigente nacional, a situação se agrava a cada ano, exigindo cada vez mais das brigadas. “É fato que todas estão se preparando melhor. Mas a temporada de incêndios florestais tem começado cada ano mais cedo e terminado mais tarde, além do número de focos aumentam sempre também”.

As mudanças climáticas, segundo Gavas, são as principais razões para a alteração, mas o desmatamento promovido  principalmente na Amazônia também tem colaborado para a piora. “Os incêndios têm aumentado por causa desses problemas climáticos, por causa da sazonalidade. Também a Amazônia tem expelindo mais gás carbônico que absorvido, reduzindo sua capacidade florestal. As pessoas precisam ter em mente a importância disso. As árvores da floresta reduzem a velocidade do vento diminuindo a evaporação e a perda de água do solo. Sem elas a água que vem para nós através da chuva, seguindo os famosos ‘rios suspensos’, diminui. O problema é o desflorestamento.Cada vez mais está ficando claro que o desflorestamento está reduzindo a quantidade e a regularidade hídrica. E reduzindo umidade temos mais incêndio”, lembra.

Uma situação crítica para o brigadista. “O Brasil tem proporções continentais e não existe uma estrutura governamental capaz de atender esse aumento dos incêndios. Por isso a importância das brigadas, que são órgãos auxiliares dos bombeiros.”

Atualmente a Rede Nacional de Brigadistas Voluntários conta com 15 entidades associadas e  outras 10 em processo de inclusão. Mas Gavas garante que essa é apenas uma pequena amostra da estrutura que existe em todo o País. “Estamos fazendo um levantamento que esperamos concluir no próximo ano”, explica. “E tenho certeza de que haverá espanto quando apresentarmos o resultado dessa pesquisa, pois há um volume grande de pessoas pelo Brasil engajadas nessa nossa luta pela preservação do meio ambiente”.

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