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Indígenas que contiveram incêndio apontam para negligência das autoridades

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Fonte: Brasil de Fato (Caroline Oliveira)

Na manhã do último domingo (21), por volta das 11h, focos de incêndio atingiram parte de uma das aldeias indígenas guarani, Tekoa Itakupe, do Pico do Jaraguá, em São Paulo. No total, foram cerca de 13 horas de fogo avançando sobre a mata, vencido somente na madrugada desta segunda-feira (22) pelo povo guarani, portando galhos de árvores e três facões, de acordo com os próprios indígenas.

Segundo Mateus Wera, da aldeia Tekoa Itakupe, nenhuma autoridade ou órgão responsável agiu efetivamente para conter o incêndio. Foram mais de 100 ligações para o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo e transmissões ao vivo com pedidos de socorro.

Somente às 18 horas, ou seja, sete horas após o início do fogaréu, que helicópteros despejaram aproximadamente 1.200 litros de água no local. Segundo Wera, foi insuficiente: o fogo continuou por mais seis horas a fio.

Na página oficial do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo no Twitter, a corporação afirmou que esteve no local, “em um primeiro momento com 7 viaturas de incêndio atuando com homens por terra, e dois helicópteros Águia do Comando de Aviação da Polícia Militar lançando água com o equipamento ‘Bambi Bucket’, com capacidade para 450 litros”.

O Corpo de Bombeiros também afirma que retornou somente no início da noite, como relatado por Wera, “permanecendo no combate até a madrugada do dia 22 de junho, deixando o local às 02h47min. Foram utilizadas 11 viaturas ao todo, 35 homens e dois helicópteros, somando 12h30min de trabalhos”.

Anthony Pyau, também da aldeia indígena, confirma que os bombeiros, de fato, se dirigiram ao local.“Até chegaram aqui com caminhão, mas falaram que não podiam fazer muita coisa porque era de difícil acesso. Então, eles simplesmente foram embora da aldeia. A gente pediu até uns equipamentos para que a gente pudesse enfrentar o fogo sozinho, mas falaram que não podiam fazer isso”, afirma.

Segundo os bombeiros, a geografia do terreno e a vegetação densa impedem um combate com maior eficácia. “A dificuldade de chegar nos focos é um fator relevante. A baixa umidade relativa do ar, aliada aos ventos dificultam ainda mais nossas ações”, afirmou a corporação também por meio de postagem no Twitter.

“Os helicópteros realmente aparecem, mas não jogavam água para o lado onde está a aldeia, só jogava a água para onde estão as torres, o pico, algumas chácaras em si, que têm por aqui na região. Essa parte eles combateram. Agora, o fogo que estava vindo para a aldeia, a gente mesmo que estava tentando apagar, correndo sério risco de vida”, continua Pyau.

Os indígenas que trabalharam para conter o fogo tiveram algumas queimações nas mãos e nos rostos e machucados pelo corpo, como arranhões e cortes.

No total, uma área de 20 hectares foi devastada, assim como encanamentos de água e fios de rede elétrica. Quanto à causa do incêndio, ainda não há conhecimento. Os indígenas, entretanto, suspeitam da presença de balões na região, vistos desde sábado (20) nas proximidades.

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