Brasil precisa de norma para a prevenção contra incêndio que danificam pontes e viadutos

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Pontes e viadutos não pegam fogo. Mas incêndios sob sua estrutura provocam sérios problemas e riscos principalmente quando estão no meio urbano. O alerta é do diretor do Instituto Brasileiro do Concreto – Ibracon, Rafael Timerman, sócio diretor da ENGETI – Engenharia e Consultoria. As chamas, segundo ele, podem levar essas estruturas ao colapso, provocando transtornos por afetar o acesso entre bairros e a fluidez do trânsito.

Timerman falou sobre “Pontes e Viadutos em situação de Incêndios: Patologias e Precauções” durante evento on-line promovido pela Associação Brasileira de Proteção Passiva – ABPP e cobrou a inclusão de um capítulo sobre o assunto na Norma Brasileira (NBR) 15.200 da ABNT, que trata de Projeto de estruturas de concreto em situação de incêndio. “É difícil falar em colocar medidas preventivas se nem normas brasileiras para esse tipo de estrutura nós temos”, afirmou. “A NBR 15.200 trabalha com espessura mínima de elementos. Nós estamos falando de espessuras de dimensões mínimas de pontes e viadutos de quase um metro, alturas de vigas de metro e meio”.

O especialista lembrou que o país possui atualmente mais de 1,8 milhão de quilômetros de rodovias, sendo apenas 210 mil pavimentados. Nelas existem cerca de 150 mil pontes e viadutos, conhecidos como “obras de arte”. “Trata-se de um patrimônio em obras de arte no valor de R$ 263 bilhões que precisam passar por inspeções permanentes para não se degradarem”.

A preocupação se deve, segundo Timerman, ao fato de as estruturas com problemas estarem mais suscetíveis a sofrerem colapso em caso de incêndio em suas bases. “Um exemplo foi o que aconteceu recentemente no viaduto Alcântara Machado, na capital paulista, que provocou um transtorno imenso à população paulistana, pois fez com que a Radial Leste fosse parada numa sexta-feira e depois teve seu tráfego liberado parcialmente por muito tempo, enquanto eram feitos os reparos”.

O problema na Radial Leste, em São Paulo, foi provocado por um incêndio em barracos que ficam embaixo do viaduto. Dados apresentados pela administração pública municipal na época apontavam que São Paulo tinha cerca de 1.500 famílias vivendo embaixo de 39 viadutos e pontes na cidade.

“Esse problema não é exclusividade de São Paulo ou do Brasil. Os Estados Unidos, a Europa, enfrentam a mesma coisa”, destaca Timermam. “Mas é preciso encontrar uma forma de colocar essa população em outros locais, pois essas obras de arte são fundamentais para a vida urbana e estão em risco constante”.

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