Aumento de incêndios industriais mostra importância da capacitação em gerenciamento de riscos

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Para ajudar na diminuição dos números de incêndios industriais, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) promoveu, no dia 5 de abril, através do seu canal no Zoom, o webinar “Incêndios e explosões na indústria: lições aprendidas e medidas preventivas”, ministrado por Estellito R. Junior, engenheiro eletricista, especialista em projetos industriais em áreas classificadas, primeiro representante da ABNT no Technical Committee 31 da IEC (Explosive Atmospheres), membro do CB-09 – Comitê Brasileiro de Gases Combustíveis e ex-Coordenador da Comissão de Estudo CE:03-31.06 do CB-03 – Comitê Brasileiro de Eletricidade.

Segundo dados do Instituto Sprinkler Brasil (ISB), em 2019 houve um aumento de incêndios na indústria de 32% em relação a 2018. Em 2020 foi registrado um aumento de 71% em relação a 2019. “E os números estão crescentes!”, alerta Estellito, que em sua palestra apresentou as causas de diversas ocorrências de explosões nas indústrias de petróleo, química e açucareira, ressaltando os prejuízos materiais e pessoais resultantes dessas ocorrências. “Infelizmente, em nossas auditorias temos constatado que as indústrias não possuem planos de gerenciamento de riscos de explosão e incêndios, o que contribui fortemente para o aumento alarmante do número de casos nos últimos anos”, destaca.

Para o especialista, o aumento de ocorrências se dá, principalmente, pela dificuldade em conseguir os dados totais do que tem acontecido nos ambientes industriais. “Não há uma legislação que disponha sobre a reunião e a  estratificação de todas as informações de posse dos Corpos de Bombeiros estaduais, para conhecermos então o inventário ‘oficial’ nacional dessas ocorrências no setor industrial”, diz. Neste caso, para oferecer ferramentas e conteúdos mais apropriados para a gestão nas indústrias, Estellito acompanha os dados do ISB, que apontam 112 incêndios em indústrias brasileiras em 2019, 192 em 2020 e 243 em 2021. “Ou seja, ter dobrado o número de incêndios industriais em dois anos é assustador!”, expressa.

As causas para esse aumento são variadas, mas, segundo Estellito, as maiores incidências podem ser computadas à ausência de procedimentos de segurança para serviços de manutenção, descontrole de processos devido a falha de instrumentos, sobrecarga nas instalações elétricas, ausência de treinamento técnico quanto aos riscos de incêndios e explosões existentes nas plantas industriais, especialmente as que processam substâncias inflamáveis e pós-combustíveis.

Ele aponta como medidas preventivas que podem ser adotadas pelas empresas: capacitação do pessoal, contratação de consultoria especializada para elaboração dos procedimentos de segurança, e inspeções periódicas nas instalações.

 

Capacitação técnica

 

Para uma melhor gestão, Estellito considera que as normas ABNT auxiliam as empresas na tomada de decisões e estratégias para prevenção e combate a incêndio. De acordo com ele, as normativas ajudam tanto ao serem referenciadas nos procedimentos de segurança quanto na elaboração das especificações técnicas para compra de equipamentos de segurança.

Sobre atualizações recentes neste arcabouço normativo, Estellito esclarece que as normas da ABNT são atualizadas, em média, a cada cinco anos, e apesar da pandemia, as reuniões virtuais permitiram a continuidade dos trabalhos de revisão conduzidos pelas Comissões de Estudo da ABNT. “Isto requer a atualização periódica dos profissionais aos novos requisitos técnicos, da mesma forma que eles precisam estar atualizados com as novas edições de documentos legais, como as Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Previdência. O apoio das empresas é, portanto, fundamental”, aponta.

Estellito ressalta ainda que as normas são elaboradas por representantes dos fabricantes, dos usuários e das entidades de pesquisa, de modo que, as empresas precisam ter ciência de que elas não são documentos de fácil leitura, a ponto que possam ser simplesmente compradas e entregues nas mãos dos funcionários. “É necessário que eles sejam ‘apresentados’ às normas por um consultor experiente, para juntos debaterem os requisitos e trocarem ideias de como implantar a norma de modo a obter os resultados desejados, no menor tempo e com menores custos”, orienta.

Estellito destaca como é importante as empresas investirem nessa  capacitação específica para os seus funcionários, mostrando os benefícios que elas podem obter: “os incêndios nas indústrias de alimentos ocorridos no mês de abril, em grandes empresas americanas, provocaram enormes prejuízos. Também são conhecidos os eventos de explosões em refinarias de petróleo e indústrias químicas que causaram impacto considerável na economia de muitos países. Os benefícios, além de evitar uma catástrofe, incluem maior produtividade (porque a manutenção sendo feita corretamente prolonga a campanha dos equipamentos), aumento da vida útil de equipamentos (por colocá-los para operar dentro dos parâmetros de segurança), e menor custo de aquisição (ao se especificar corretamente os equipamentos seguros conforme os requisitos de cada área classificada, sem sobredimensionamentos)”.

Entre as ações para auxiliar as indústrias na gestão desse tema, a ABNT tem fornecido treinamentos. Segundo Estellito, para este ano estão agendados três turmas para capacitação sobre as normas ABNT diretamente relacionadas com a prevenção de explosões no ambiente industrial, todos em EAD ao vivo, por meio dos quais os participantes recebem também uma cópia da norma.

Mais informações sobre a agenda de treinamentos podem ser obtidas no e-mail: cursos@abnt.org.br

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