Formação de bombeiros para atuação em aeroportos é prioridade da Infraero

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Procura pelo curso de Habilitação de Bombeiro de Aeródromo, oferecido pela Universidade da instituição, cresceu durante a pandemia

Em 2018 o Aeroporto de Cumbica, em São Paulo, maior aeródromo e de mais elevada circulação de passageiros do país, bateu recorde de movimentação, com mais de 42 milhões de pessoas, 6,4% a mais que os 39,5 milhões de 2014, ano da Copa do Mundo no Brasil. De acordo com a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) foram 276 mil pousos e decolagens. Já no território nacional foram 950.657 voos em 2019.

Uma movimentação que exige grande nível de segurança e qualificação dos profissionais, em especial dos bombeiros que atuam no local. Tanto que o relatório da ANAC aponta que no ano passado foram 436 ocorrências na área de segurança nos 99 aeroportos existentes no país (18 internacionais e 81 para voos regionais). Este ano, até setembro, a agência registrou 326 ocorrências, sendo que apenas 1% envolveram fumaça e fogo.

Para garantir o baixo nível de ocorrências de incêndios, a Universidade da INFRAERO (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária), empresa pública federal brasileira de administração indireta vinculada ao Ministério da Defesa, realiza periodicamente o curso de Habilitação de Bombeiro de Aeródromo. Somente no ano passado foram 440 formandos e este ano, apesar da pandemia, já foram treinados 190 bombeiros em diversas regiões do país.
Segundo Renata Martins Teixeira, gerente da Universidade INFRAERO, o curso capacita profissionais para atuarem no Serviço de Salvamento e Combate a Incêndio em Aeródromos Civis (SESCINC), na resposta à emergência aeroportuária e em táticas de resgate e combate a incêndio em aeronaves. “O mercado está em expansão, demandando novos bombeiros de aeródromo capacitados para garantir a segurança das operações de aeronaves nos aeroportos brasileiros dentro dos padrões internacionais e normas da Agência Nacional de Aviação Civil”.

A INFRAERO recebeu, em setembro de 2017, a certificação da ANAC que a reconhece como Organização de Ensino Especializada na Capacitação de Recursos Humanos para o Serviço de Prevenção, Salvamento e Combate a Incêndio em Aeródromos Civis (OE-SESCINC) Tipo 2.

E para atender as exigências da agência, Renata afirma que a instituição segue as normativas estabelecidas. “Atendemos a certificação RBAC 153 (Regulamento Brasileiro da Aviação Civil) e a Resolução 279 da ANAC que normatizam a formação de bombeiros para aeroportos”, afirma. “Também seguimos as orientações da OACI que é a agência especializada da ONU (Organização das Nações Unidas) responsável pelo desenvolvimento seguro da aviação civil mundial, estabelecendo normas e regulamentos voltados para a segurança, eficiência e regularidade aéreas”.

Duração de cinco semanas

Eduardo Luís Barduco, Coordenador de Treinamentos Obrigatórios da Universidade INFRAERO, explica que o curso Habilitação de Bombeiro de Aeródromo – CBA2 tem duração de cinco semanas (208 horas/aula). “O aluno é preparado para atuar em todas as categorias de aeroportos”, explica. “Damos teoria e prática tornando o aprendizado mais completo e com uma dinâmica que envolve desde o atendimento de emergência, combate ao fogo, resgate, primeiros socorros, até emergências com químicos”.
Para estimular ainda mais os alunos, após as aulas teóricas, são realizadas atividades externas de salvamentos em altura e simulação de fogo em aeronave. “Os formandos saem também com conhecimento prático e prontos para atuar”, garante Barduco. Já os bombeiros que atuam em aeroporto, segundo o instrutor, passam periodicamente por cursos de atualização. “Nossa meta é que se mantenham em forma”, diz.

Além disso, afirma Renata, a Universidade também oferece a oportunidade para esses profissionais irem além. “No começo deste ano recebemos a homologação da ANAC para o curso de Chefe de equipe. Para participar a pessoa precisa ter a Habilitação de Bombeiro de Aeródromo. Por ser uma qualificação, esse curso dura três dias (24 horas/aula) e é voltado para a área gerencial”.

A instituição ainda oferece a qualificação para Bombeiro Motorista de Carro Contra Incêndio, para aqueles que já atuam nas atividades operacionais de prevenção, salvamento e combate a incêndio em aeródromos. “Os alunos recebem os conhecimentos gerais e específicos necessários à condução e operação eficiente dos sistemas de combate a incêndio dos carros contra incêndio de aeródromo – CCI”, diz Barduco.

Atualmente, os aeroportos brasileiros possuem, segundo Renata, 250 “bombeiros orgânicos da INFRAERO”, admitidos via concurso público, cerca de 730 bombeiros militares, destacados para operações em aeródromos através de convênio com os Corpos de Bombeiros nos estados, e bombeiros civis contratados via convênio com empresas privadas.

A gerente da Universidade da INFRAERO lembra que os interessados em fazer o curso de Habilitação de Bombeiro de Aeródromo podem se inscrever através do site da instituição – www4.infraero.gov.br. “É preciso que a pessoa tenha formação como bombeiro civil, de acordo com os critérios estabelecidos pela ABNT/NBR 14608 – “Bombeiro Profissional Civil”, ou formação como bombeiro militar dos Estados ou ainda das forças armadas. Também é exigido que tenha completado o ensino médio ou curso equivalente, ter no mínimo 18 anos e apresentar atestados de aptidão física e psicológica válidos”.

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