Armazenagem inadequada e uso indevido geram acidentes com fogos de artifício

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Muita gente acabou não utilizando os fogos de artifícios comprados para as festas de fim de ano devido às restrições provocadas pela pandemia da Covid-19. E os produtos acabaram estocados, nem sempre de forma adequada. Para Fábio José Barros dos Santos, técnico em Emergências Médicas e instrutor para serviços de emergência, normalmente instituições como clubes, casa de shows, hotéis e restaurantes dentre outros compram em grandes quantidades justamente para serem instalados no dia do evento e armazenam, na maioria das vezes, locais inapropriados.

Já o armazenamento de pequenas quantidades de fogos em casa não representa perigo, desde que tomados alguns cuidados, segundo o capitão André Elias, do Corpo de Bombeiros de São Paulo (CBSP). “Se a pessoa comprou uma bateria de fogos de artifício e não usou basta que guarde longe de fontes de calor e fora do alcance de crianças”, afirma.

Já no caso de revendedores, o Capitão André alerta para o cumprimento da legislação existente. “Exatamente para evitar os riscos provocados pelo armazenamento inadequado de fogos de artifício, o Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo publicou, em 2018, a  Instrução Técnica nº 30 (IT30), com objetivo de estabelecer as condições necessárias de segurança contra incêndios em edificações destinadas ao comércio de fogos de artifício no varejo”, explica.

A preocupação se baseia no número de acidentes. Nos últimos anos, mais de 8.500 acidentes e 120 mortes foram causadas por fogos de artifício no país, sendo que “mais de 20% das mortes foram de crianças entre 0 e 14 anos”. Os dados foram levantados pelo DATASUS – Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde. Já, segundo a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia – Sbot, “uma em cada dez pessoas tem um de seus membros superiores amputados, além de outras sequelas, ao manusear fogos de artifício”. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 5.620 internações e 1.612 atendimentos ambulatoriais referentes a acidentes causados por uso de fogos de artifício – com 96 casos de óbito – entre 2007 e 2017.

A Instrução Técnica, segundo o oficial, determina que os revendedores sigam as normas do Exército, além de definir, por exemplo, de acordo com o capitão André, que os produtos estejam a uma distância do solo, em cima de paletes, ter janelas de areação do ambiente e não estar a menos de 100 metros de hospitais e postos de combustíveis, entre outras regras.

O principal risco em relação ao armazenamento, uso e manuseio dos fogos de artifícios são as queimaduras que representam 80% dos casos. “Também é muito comum amputações e lesão ocular, muita das vezes irreversível”, lembra Santos.  Ainda, segundo ele, o uso e o armazenamento incorreto podem provocar explosões, incêndios e um colapso da edificação, causando desmoronamento.

O cuidado com armazenagem não se limita aos fornecedores e varejistas. “O acondicionamento correto dos fogos de artifício em casa ou em outros locais  também é importante”, afirma o técnico. “Manter esses materiais longe de produtos inflamáveis, em locais arejados, distantes de crianças garante a segurança e evita acidentes”.

Santos também alerta para uma prática comum – a alteração das características dos fogos. “É importante não mudar a configuração do pirotécnico. Algumas pessoas têm o hábito de desmontar o material, retirar sua pólvora e criar um artefato de maior potencial. Precisamos entender que apesar do Inmetro caracterizar o produto como um cartucho de papel com pólvora e perclorato de potássio, tudo em relação a ele é calculado não sendo recomendado misturas e nem a sua junção com intenção de potencialização”.

Apesar de ser um explosivo, Santos lembra que os fogos, se usados corretamente, não apresentam riscos. “Os fogos possuem classificações de risco justamente para a identificação de quem pode utilizar e gerando assim também a exigência de como ele vai ser acondicionado por seus fornecedores que no caso terá que cumprir exigências de códigos estaduais específicos para este tipo de material”.

Recomendações do Corpo de Bombeiros:

  • Ler as instruções da embalagem do produto. Cada tipo de produto requer um manuseio diferenciado
  • Não soltar rojões com as mãos. Utilize sempre o suporte de apoio que, obrigatoriamente, deve estar na embalagem. Certifique-se de que ele está bem fixado na base para não cair ou provocar acidentes graves. Se possível, utilize um tijolo ou pedras para fortalecer a base;
  • De forma alguma solte fogos em ambientes fechados, embaixo de árvores, fiações elétricas ou próximo de animais;
  • Não permita que crianças soltem quaisquer tipos de fogos, mesmo com a supervisão de um adulto;

Em caso de queimaduras, não utilize creme dental ou manteiga no local afetado.

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