Conheça os principais tipos e aplicações de chuveiros automáticos

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Crédito foto: Reprodução/Discovery News

Uma das mais conhecidas formas de prevenção e combate a incêndios, os chuveiros automáticos (ou fire sprinklers, em inglês) podem parecer dispositivos simples que descarregam água sobre uma área por meio da termossensibilidade. Esses equipamentos, porém, têm tecnologias diferentes de acordo com cada tipo de aplicação: saber fazer a escolha certa é essencial para a proteção de bens e vidas.

 

O Coronel PM Frank Itinoce, presidente da Fundação de Apoio ao Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo (FUNDABOM), explica que há duas variações importantes em relação a esses equipamentos: os CCAE (chuveiros automáticos de controle para aplicação específica) e os CCAD (chuveiros automáticos tipo spray de controle área/densidade.

 

“O CCAE é um tipo de chuveiro que atua no modo de controle e se caracteriza por produzir gotas grandes de água, testado e aprovado para uso em áreas de incêndios de alta intensidade. O CCAD é um tipo de chuveiro projetado para áreas de incêndios em local de armazenamento usando o método de controle área/densidade”, explica o especialista.

 

A NBR 10.897 classifica os principais chuveiros automáticos da seguinte forma: chuveiros abertos (empregados no sistema dilúvio e destinados à proteção de ocupações de risco extraordinário e risco pesado) e chuveiros automáticos (que são providos de um mecanismo comandado por um elemento termossensível, como ampola de vidro e solda eutética), que os mantêm hermeticamente fechados e automaticamente entram em funcionamento pela própria ação do calor de um incêndio.

 

Itinoce afirma, porém, que, considerando que cada tipo de chuveiro automático é desenvolvido (e adequado) para uma situação de proteção diferente, mas também levando em consideração as características de uso das edificações predominantes no país, conforme as normas técnicas brasileiras, é possível classificar os principais sistemas de chuveiros automáticos em cinco tipos: 1) sistema de tubo molhado; 2) sistema de tubo seco; 3) sistema de ação prévia; 4) sistema dilúvio; 5) sistema combinado de tubo seco e ação prévia.

 

O especialista explica, ainda, que é possível escolher o tipo de equipamento com base na descarga de água:

 

Chuveiros modelos antigos: Dispositivos cujo defletor é desenhado para permitir que uma parte da água descarregada seja projetada para cima, contra o teto, e o restante, para baixo, tomando uma forma aproximadamente esférica.

 

Chuveiros-padrão (spray): O defletor é desenhado para permitir que a água descarregada seja projetada para baixo, com uma quantidade mínima, ou nenhuma, dirigida contra o teto. A descarga da água tomando uma forma hemisférica abaixo do plano do defletor é dirigida totalmente sobre o foco do incêndio

 

Chuveiros laterais (sidewall): Dispositivos cujo defletor é desenhado para distribuir a água de maneira que quase a totalidade dela seja aspergida para frente e para os lados, em forma de um quarto de esfera, e uma pequena quantidade para trás contra a parede. São instalados ao longo das paredes de uma sala e junto ao teto. O seu emprego está limitado à proteção de ambientes relativamente estreitos, cuja largura não exceda o alcance que este tipo de chuveiro proporciona

 

Chuveiros laterais de amplo alcance: Equipamentos cuja dimensão do defletor proporciona uma cobertura maior que os descritos acima.

 

Chuveiros especiais: Projetados especialmente para serem instalados embutidos ou rente ao forro falso, onde por motivos de estética os demais tipos de chuveiro não são recomendados. Este tipo de chuveiro somente é instalado na posição pendente.

 

Normas variam até entre cidades

 

Itinoce diz que “os sistemas de proteção por chuveiros automáticos devem ser elaborados de acordo com critérios estabelecidos em normas técnicas brasileiras, sendo aceita a norma NFPA 13 da National Fire Protection Association, se o assunto não for por elas contemplado. A classificação do risco, área de operação, tabelas e demais parâmetros técnicos devem seguir os critérios contidos nas normas técnicas”.

 

De acordo com o presidente da FUNDABOM, a recomendação técnica das normas brasileiras diz que os chuveiros devem ser portadores da marca e/ou certificado de conformidade à NBR 6135, conferidos por entidade reconhecida pelo Sistema Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial – SINMETRO, com amostras ensaiadas conforme a NBR 6125 ou aprovadas por entidades reconhecidas internacionalmente, para serem empregados em sistemas hidráulicos de proteção contra incêndio.

 

Vários são os locais onde os chuveiros automáticos são indicados, continua Itinoce. “As normas técnicas nacionais, como a NBR 10.897, e as estrangeiras, como a NFPA 13, indicam a aplicação da proteção com base em critérios técnicos, como a ocupação da edificação e a carga de incêndio (soma das energias caloríficas possíveis de serem liberadas pela combustão completa de todos os materiais combustíveis contidos em um espaço, inclusive o revestimento das paredes, divisórias, pisos e tetos)”, afirma.

 

Ele explica, porém, que, legalmente, são os órgãos públicos fiscalizadores que normalmente ditam a obrigatoriedade da instalação, como as unidades federativas e eventualmente as prefeituras municipais. “Também é interessante reforçar que, conforme o Instituto Sprinkler Brasil, a legislação de incêndio no Brasil é responsabilidade de cada unidade da federação, via seus Corpos de Bombeiros Militares e, embora o projeto e instalação dos sistemas seja padronizado pelas normas técnicas oficiais, os locais onde essas exigências de aplicação dos chuveiros automáticos apresentam diferenças entre cada estado brasileiro”, afirma o especialista.

 

Planejamento é fundamental

 

“É muito importante salientar que o planejamento é fundamental no uso dos chuveiros automáticos, pois, por ser um tema extremamente especializado, o usuário nunca deve basear sua decisão apenas na questão econômica, mas sim na questão técnica”, alerta o presidente da FUNDABOM.

 

Segundo ele, é preciso pesquisar a legislação adotada no local da edificação a ser protegida, pois, como já explicado, as normas variam de Estado para Estado e até de município para município.

 

“Outra sugestão que considero interessante é contatar os órgãos representantes tanto dos fabricantes dos equipamentos quanto dos profissionais que executam essa atividade para obter ainda mais informações fidedignas e atualizadas”, conclui Itinoce.

 

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