Missões internacionais mobilizam bombeiros para vivências e aprimoramentos
Terremotos, queimadas, enchentes. Esses fenômenos globais envolvem não apenas as corporações locais, mas também mobilizam bombeiros de outros países em missões internacionais em prol do salvamento de vidas. Um exemplo é o que ocorre no Canadá, onde os incêndios florestais estão devastando localidades como a de West Kelowna, com 36 mil habitantes e mais de 2.400 casas evacuadas, inclusive edifícios, segundo reportagem da BBC.
Vários estados brasileiros deslocaram seus militares para auxiliar nos resgates. Um deles foi o Paraná, que entre os meses de julho e agosto, o 1º tenente Bruno Eduardo Da Macena, do 2º Grupamento de Bombeiros de Ponta Grossa, integrou o grupo de 100 profissionais na missão organizada pela Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores.
Missões internacionais
Dentre as instituições integrantes desta ação com foco em missões internacionais, além dos bombeiros, por meio do Conselho Nacional dos Corpos de Bombeiros Militares do Brasil (Ligabom), Força Nacional, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
“Além de ajudar os canadenses, foi uma oportunidade de trocar experiências não só com os bombeiros locais, mas com profissionais de corporações de outros países. Isso agrega muito ao conhecimento que já tínhamos, com técnicas e estratégias que trouxemos de lá e que podem ser adaptadas para cá, assim como equipamentos e metodologias de trabalho que eles utilizam para gerir a operação e que podem ser compartilhadas com os colegas”, disse o bombeiro durante um encontro com o governador do estado, Ratinho Junior, em agosto.
Capacitação
Como disse o primeiro tenente, a expertise é importante para aprimoramento nessas ocorrências emergenciais e extremas e treinamentos são uma constante aos bombeiros. O Maranhão também participou da mobilização para a missão canadense e as estratégias são fundamentais para lidar com riscos e, inclusive, antecipar empecilhos e demandas.
O comandante geral do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA), coronel Célio Roberto de Araújo, também vice-presidente do Conselho Nacional dos Comandantes Gerais dos Corpos de Bombeiros Militares do Brasil (CNCG), ajudou a traçar táticas para as missões humanitárias e de Defesa Civil, no Brasil e no exterior. “Essa força tarefa, que reúne bombeiros, policiais militares e membros de instituições ambientais de todo o Brasil, é resultado de esforços conjuntos e de articulações em apoio ao Canadá, que passa por um grave momento de prejuízo, por conta destes incêndios florestais. O objetivo é prestar auxílio nas regiões afetadas, combatendo as ocorrências e garantindo suporte às comunidades”, pontua.
Já o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), consideradoo que mais atuou em missões fora do Brasil, tem desenvolvido um trabalho de criação e implemento de logística própria, seguindo critérios internacionais de operações humanitárias, estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). Uma delas é uma Base de Operações padronizada para missões como as já ocorridas em Moçambique, Haiti, Turquia e também no Canadá.
Para manter o treinamento, recentemente, 42 militares participaram de um exercício de mobilização na Academia de Bombeiros Militar do estado, com a montagem de tendas de posto de comando, sala de reuniões, refeitório, posto médico, almoxarifado, alojamentos, área de cães, palco de equipamentos, áreas de descontaminação, banho e higiene pessoal.
“O exercício de mobilização visa o aprimoramento logístico da estrutura de resposta a desastres em todo o território mineiro. Procuramos seguir os padrões internacionais de excelência utilizados por equipes de busca e resgate urbanos em todo o mundo. A base de operação é considerada autossuficiente, todos as instalações e equipamentos são dimensionados para uma rápida mobilização. Assim, o CBMMG se posiciona cada vez mais de forma efetiva no atendimento à população mineira”, explica o major Heitor de Aguiar Mendonça, subcomandante do Batalhão de Emergência Ambientais e Resposta a Desastres (Bemad).
Resposta a desastres
A Ligabom realiza oficinas, treinamentos e conversas sobre como proceder em eventos extremos. Em junho, realizou em Caldas Novas, GO, o workshop “A padronização nacional das respostas a desastres”, que teve em seu escopo discutir e propor ações que visem uma atuação padronizada das corporações no âmbito nacional e internacional, bem como capacitação, acionamento, mobilização, resposta e desmobilização, além estudos para implantar um protocolo nacional de atuação frente aos desastres ocorridos em território nacional, com suas complexidades e especificidades. “A padronização das respostas aos desastres é um desafio constante e reuniões são importantes para avançarmos nesse processo. Pelo compartilhamento de informações, buscamos garantir uma atuação integrada, efetiva e coordenada em situações de emergência, visando proteger vidas e reduzir os danos causados por desastres naturais ou provocados pelo homem. A padronização de protocolos emergenciais é fundamental para melhorar a nossa capacidade de resposta imediata, no que se refere aos desastres ambientais que possam vir a impactar o Brasil ou outros países que solicitem apoio”, informa nota.
Foto: divulgação – Ligabom