Livro traz estudos de 51 anos de tragédias provocadas por incêndios em grandes edifícios

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Nós últimos 30 anos houve um considerável avanço na Segurança Contra Incêndio (SCI), em especial no tocante às exigências das regulamentações sobre o assunto e no melhor aparelhamento dos Corpos de Bombeiros. Mas é preciso que os estudos sobre o assunto prossigam e novas medidas sejam tomadas para evitar tragédias como as ocorridas na década de 1970, em São Paulo, e com as torres gêmeas, nos Estados Unidos, em 2001.  Essa é a conclusão do responsável pela elaboração do livro “Problemática de Incêndio em Edifícios Altos”, lançado no último dia 26 pela Fundabom – Fundação de Apoio ao Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

Idealizado há 24 anos pelos coronéis Silvio Bento da Silva, ex-oficial do Corpo de Bombeiros de São Paulo e atual diretor da empresa FIREK Educação e Segurança Contra Incêndio, e Rogério Bernades Duarte, ex-comandante do Corpo de Bombeiros de São Paulo, e pela professora titular da FAU/USP e diretora do Museu Paulista, Rosária Ono, o livro traz os acidentes mais relevantes dos últimos 51 anos. “A preocupação foi atualizar a cronologia dos acidentes mais impactantes. Reunimos 31 acidentes em edifícios altos pelo mundo todo que provocaram elevado número de vítimas”, afirma o coronel Duarte. “Somando todas foram 4.109 vítimas fatais. Isso por si só indica que é um assunto que deve ser estudado com cuidado e merece atenção especial para evitarmos novas ocorrências”.

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Uma primeira versão do livro, não publicada, segundo o coronel Duarte, serviu como base para os manuais técnicos do CB elaborados entre 2005 e 2006. “Nós adotamos como base o livro Fire Problems in High Rise Buildings da IFSTA – International Fire Service Training Association de 1976”.

Orientações

Mais do que apresentar estudos dos acidentes mais graves ocorridos nos últimos 51 anos, o livro faz análises dos problemas encontrados pelos bombeiros e apresenta propostas para resolvê-los. “É preciso que os edifícios tenham um bom projeto, uma boa instalação dos equipamentos de segurança e combate a incêndio, uma boa preparação das equipes e brigadas de incêndio, além da preocupação com a sinalização das rotas de escape, escadas de emergência, iluminação.”

Outro alerta que o livro traz é para que os ocupantes dos prédios, sejam comerciais ou residenciais, conheçam as escadas de incêndio. “As pessoas não conhecem as escadas de emergência e só irão usá-las quando houver algum problema, o que pode causar sérios problemas”, analisa. “As pessoas devem fazer uma descida para conhecer e saber o que fazer. Isso é o mais importante para o trabalho do Corpo de Bombeiros”.

Apesar de algumas edificações, principalmente comerciais, já possuírem elevadores de emergência, instalados em áreas protegidas, com fornecimento de energia elétrica através de geradores, o coronel lembra que a orientação continua sendo para o uso das escadas na evacuação durante um incêndio. “Também não se deve usar helicópteros, a não ser em casos extremos, pois eles exigem heliporto, condições climáticas favoráveis, entre outras coisas”.

Já Rosária, especialista em Tecnologia da Arquitetura e do Urbanismo, com ênfase em Segurança Contra Incêndio e Avaliação Pós-ocupação, diz que os cursos de Arquitetura e Engenharia ainda pecam pela falta de disciplinas com foco nos equipamentos de segurança e combate a incêndio na elaboração e execução de projetos. “Os currículos das escolas de Engenharia e Arquitetura infelizmente ainda não chegaram a um bom ponto. É preciso batalhar muito para que a questão de segurança contra incêndio seja abordada de forma adequada na formação desses profissionais, porque a qualificação profissional é muito importante para avançarmos no nível de segurança de nossas edificações.” Ela defende, ainda, avanços nas regulamentações dos códigos de prevenção e combate a incêndios.

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